Drª Nayruz Jradi

 “Muitas mulheres vão à academia em busca do corpo perfeito, treinam os seus músculos para que fiquem bem delineados, e assim, sentem-se mais lindas. Até aí tudo bem, mas o que muitas não sabem é que temos músculos íntimos que não dão para ser vistos, porém devem ser treinados” (Nayruz Jradi)

Nas últimas décadas falar sobre a sexualidade feminina deixou de ser um tabu e ganha ares cada vez mais profissionais com algumas especializações específicas para tratar esta parte do corpo e toda a sensibilidade que a envolve. É o caso da “fisioterapia uroginecológica” ou “fisioterapia pélvica” que previne e trata distúrbios pélvicos, incluindo os ossos, as articulações, os órgãos e toda a musculatura do assoalho pélvico (MAP), formada por cerca de 13 músculos e fáscias.

A fisioterapeuta e professora da Universidade Estadual de Goiás (UEG) Nayruz Jradi é uma das poucas profissionais goianas com especialização na área e tem contribuído não somente para difundir a importância desta parte do corpo para a qualidade de vida e a auto estima da mulher, mas desmistificar uma série de conceitos errôneos sobre o assunto. “Muitas mulheres vão à academia em busca do corpo perfeito, treinam os seus músculos para que fiquem bem delineados, e assim, sentem-se mais lindas. Até aí tudo bem, mas o que muitas não sabem é que temos músculos íntimos que não dão para ser vistos, porém devem ser treinados”, explica.

Segundo Nayruz, quando fortalecidos, fazem toda diferença na vida sexual e na saúde da mulher. “A partir do momento que a mulher consegue dominar as técnicas, ela consegue também ter um domínio do seu próprio corpo, e já começa a ter mudanças de dentro para fora, se sentindo mais bonita e mais autoconfiante, trabalhando assim, a autoestima, o comportamento sexual, o autoconhecimento íntimo e acima de tudo o seu amor-próprio, tornando-se uma mulher poderosa”.

Também conhecida como exercício vaginal, exercício perineal, exercício de pompoarismo e exercício de Kegel, a ginástica íntima infelizmente não pode ser praticada por todas as mulheres, daí a importância de uma avaliação com um especialista. “A ginástica íntima pode ser usada com ou sem o uso de acessórios, ela é usada tanto para flacidez vaginal quanto para prevenção de incontinência urinária/fecal, cólicas menstruais, auxilia no pré e pós-parto, melhorando a libido e a lubrificação vaginal. Os exercícios ajudam no tratamento da anorgasmia (dificuldade em ter orgasmo), a mulher consegue ter orgasmos múltiplos e mais intensos, retarda a ejaculação do parceiro e ajuda no tratamento da dispareunia (dor na relação sexual)”, destaca a especialista.

    

MAP

Localizados na porção inferior da bacia, especificamente entre as coxas, com a função de sustentar os órgãos internos, os músculos do assoalho pélvico são controlados voluntariamente, daí a importância de mulheres e homens conhecerem esta região. Estão organizados em forma de rede, se originam no osso púbico (localizado na região baixa do abdômen) e nas paredes laterais dos ossos da bacia e se dirigem para o cóccix.

A MPA desenvolve um papel importante papel no correto funcionamento da uretra e reto agindo como esfíncteres (válvulas de fechamento) e circundam também a vagina e também o pênis

São alguns procedimentos que podem lesionar a musculatura:

  • Qualquer cirurgia envolvendo o canal anal;
  • Cirurgia de próstata;
  • Lesões no períneo e no canal anal durante o parto vaginal;
  • Lesões do nervo pudendo que podem ocorrer durante os partos prolongados, principalmente de crianças acima de 3 Kg;
  • Envelhecimento que leva a fraqueza dos músculos, inclusive os músculos do assoalho pélvico;
  • Prática de exercícios muito pesados com cross fit e jump.

 

Sobre a Drª Nayruz Jradi (@dra.nayruzjradi) – Fisioterapeuta Uroginecológica – CREFITO 135776-F:

A fisioterapeuta Nayruz Jradi com especialização em Fisioterapia Uroginecológica, pelo Centro Brasileiro de Estudos Sistêmicos (CBES-SP) e Fisioterapia Dermato Funcional, pelo Centro de Desenvolvimento Científico em Saúde e Social (CDCS Pós-Graduação, Goiânia-GO). Atua como professora na Universidade Estadual de Goiás (UEG), nas áreas de Oncologia e Uroginecologia; na pós-graduação da Mundo Fisio (mundodafisioterapia.com.br), sobre Saúde da Mulher,  e como coordenadora da Liga de Obstetrícia, do Núcleo de Estudos em Fisioterapia e Atividade Física em Obstetrícia (Nefafo) na UEG.  Na área clínica, atende na Clínica de Doenças Renais, em Goiânia (GO).